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Tudo o que você precisa saber para acompanhar as Paralimpíadas de Tóquio

A 16ª edição dos Jogos Paralímpicos será realizada em Tóquio entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro, de acordo com o horário de Brasília — a cerimônia de abertura está marcada para a terça-feira (23), às 8 horas, com transmissão pelo SporTV2 e pelo Globoplay. O Comitê Paralímpico Internacional, aliás, espera que os Jogos de Tóquio alcancem audiência recorde: a expectativa é de 4,25 bilhões de espectadores em todo o mundo.

Assim como ocorreu nas Olimpíadas, as Paralimpíadas não terão a presença de público, em virtude da manutenção do estado de emergência da pandemia da covid-19 decretado pelo governo japonês. O UOL Esporte preparou um guia com informações sobre os Jogos e sobre as especificidades do esporte paralímpico.

A origem do esporte adaptado e os Jogos Paralímpicos
Há registros de esportes para pessoas com deficiência desde o século XIX — os primeiros clubes para surdos, por exemplo, datam da década de 1880, na Alemanha. O motor do desenvolvimento para o esporte adaptado foi a Segunda Guerra Mundial, com o uso das modalidades esportivas para o trabalho de reabilitação de veteranos e civis. Em 1944, o médico neurologista Ludwig Guttmann abriu um centro de reabilitação no Hospital de Stoke Mandeville, na Inglaterra, a convite do governo britânico. O esporte, que era uma atividade de recreação e reabilitação, acabou passando a ser uma atividade competitiva. Londres recebeu os Jogos Olímpicos em 1948 e Guttmann resolveu, no dia da cerimônia de abertura, realizar uma competição de tiro com arco — e batizou a atividade de Jogos de Stoke Mandeville. Esse foi o embrião dos Jogos Paralímpicos. A primeira Paralimpíada foi disputada em Roma, em 1960, com a participação de 400 atletas em oito modalidades. Desde Seul-1988, as Olimpíadas e as Paralimpíadas são realizadas na mesma sede — uma pequena exceção ocorreu em Barcelona-1992, quando também houve disputas paralímpicas em Madri.

– Quais são as entidades que regem o esporte paralímpico?
O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) é a entidade responsável por coordenar o esporte no nível mundial, assim como o Comitê Olímpico Internacional (COI) faz no esporte convencional, ou seja, olímpico. Foi fundado como uma organização não governamental em 22 de setembro de 1989, na cidade alemã de Dusseldorf. O brasileiro Andrew Parsons é o presidente do IPC desde 2017. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), fundado em 9 de fevereiro de 1995, organiza o esporte adaptado no país e é presidido por Mizael Conrado, ex-atleta do futebol de 5.

– O que quer dizer o prefixo “para”?
O prefixo “para” significa “paralelo, ao lado de”. Isso quer dizer que as Paralimpíadas existem junto das Olimpíadas, e mostram como os dois movimentos – paralímpico e olímpico – progridem lado a lado.

– O símbolo paralímpico
Foi criado em 2003. São os “agitos” (palavra que, em latim, significa “eu me movimento”), representados por três pinceladas nas cores vermelha, azul e verde.

– As classes paralímpicas
São divididas em três grupos de deficiências: visual, física e intelectual. São compostas de letras (siglas) que se referem à modalidade ou à deficiência e números que indicam o grau de comprometimento (e quanto menor a numeração, menor a funcionalidade do atleta). Os atletas com deficiência intelectual só competem na natação (S14) e no atletismo (T20).

– As modalidades nas Paralimpíadas de Tóquio
O programa paralímpico é composto por 22 modalidades: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, parabadminton, parataekwondo, remo, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo e vôlei sentado. Apenas o goalball não tem equivalente no esporte convencional. Tóquio marca a estreia do parataekwondo e parabadminton nos Jogos.

– Número de participantes nos Jogos
As Paralimpíadas de Tóquio terão menos participantes, em número de atletas e de países, em comparação à edição do Rio, cinco anos atrás. No Japão, é estimada a presença de cerca de 4.400 atletas de 167 países — no Brasil, foram cerca de 4.500 atletas, de 176 Comitês Paralímpicos InternacionaisAs dificuldades trazidas pela pandemia da covid-19 explicam a retração, ainda que pequena, nos números, mas não só. O Afeganistão, por exemplo, deixará de enviar seus dois atletas por causa do retorno do Talebã ao poder.

Abbas Karimi, do time paralímpico de refugiados - Stacy Revere/Getty Images

Abbas Karimi, do time paralímpico de refugiadosImagem: Stacy Revere/Getty Images

– Estreia do time de refugiados e uma homenagem ao pai do paradesporto
Assim como nos Jogos Olímpicos, as Paralimpíadas de Tóquio também terão uma equipe de refugiados: são seis atletas, cinco homens e uma mulher. Três atletas são da Síria, um do Irã, um do Burundi e um do Afeganistão — Abbas Karimi, nadador que nasceu sem os dois braços, deixou a capital Cabul com a família aos 16 anos e, após quatro anos sem documentos na Turquia, conseguiu se estabelecer nos EUA com o auxílio da ONU. A inclusão do time de refugiados nas Paralimpíadas é, também, uma homenagem àquele que é considerado o pai do paradesporto, o médico Ludwig Guttmann. Filho mais velho de uma família de judeus ortodoxos, ele estudou medicina na Universidade de Breslau (hoje Wroclaw), na Polônia. Era o diretor do hospital da cidade quando, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder e a anexação da Polônia, deixou o país para se proteger da perseguição nazista e refugiou-se com a família na Inglaterra.

– As estreias brasileiras nos Jogos
A primeira participação brasileira nos Jogos Paralímpicos ocorreu na edição de Heidelberg, na antiga Alemanha Ocidental, em 1972, com 20 atletas (todos homens) em quatro modalidades (atletismo, natação, tiro com arco e basquete em cadeira de rodas). As primeiras mulheres a participaram dos Jogos estiveram na edição de 1976, em Toronto (Canadá). As pioneiras foram Maria Alvares (tênis de mesa e atletismo) e Beatriz Siqueira (natação e lawn bowls).

– As primeiras medalhas brasileiras
O Brasil conquistou sua primeira medalha paralímpica nos Jogos de Toronto, em 1976, com Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa — a dupla ganhou a prata no lawn bowls, uma modalidade parecida com a bocha, disputada na grama e mais conhecida em países da Comunidade Britânica. As primeiras medalhas conquistadas por uma mulher vieram em 1984, na edição que foi disputada em duas sedes: Nova York, nos EUA, e Stoke Mandeville, na Inglaterra. No atletismo, Marcia Malsar conquistou ouro nos 200m C6, prata nos 1.000m cross country C6 e bronze nos 60m C6.

Ádria Santos: maior medalhista paralímpica do Brasil - Reprodução

Ádria Santos: maior medalhista paralímpica do BrasilImagem: Reprodução

– Os maiores medalhistas brasileiros
Daniel Dias, da natação, e Ádria Santos, do atletismo, são os maiores medalhistas paralímpicos do Brasil. O nadador é o mais vitorioso atleta da história do esporte adaptado do Brasil. Em três participações nos Jogos, conquistou 24 medalhas (14 de ouro, 7 de prata e 3 de bronze) — e a conta pode aumentar, já que em Tóquio ele disputará sua última Paralimpíada. Já Ádria é a mulher que mais conquistou medalhas paralímpicas. Entre os Jogos de Seul-1988 e Pequim-2008, subiu 13 vezes ao pódio: são 4 ouros, 8 pratas e 1 bronze.

– Brasil: em busca do top 10 e do 100º ouro
O Brasil é uma potência do esporte paralímpico: nas últimas três edições dos Jogos, esteve no top 10. A melhor colocação foi em Londres-2012, com o 7º lugar. Há cinco anos, na Rio-2016, a delegação brasileira ocupou o 8º lugar, e bateu o recorde de medalhas conquistadas: foram 72 (14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes). Em Tóquio, o Brasil tem como objetivo continuar entre os 10 melhores países do mundo, e pode alcançar a marca simbólica de 100 medalhas de ouro. Até agora, o país soma 87 medalhas douradas, de um total de 301 pódios na história. O Brasil terá 260 atletas — 164 homens e 96 mulheres –, sendo que, destes, 26 são pessoas sem deficiência (guias, calheiros, goleiros e timoneiros). Essa é a maior delegação do país em uma edição paralímpica no exterior, e que terá 86 atletas (37%) em sua primeira experiência nos Jogos.

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