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Marcos Thomaz: A VOLTA DO FUTEBOL É UM GOL CONTRA

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Foto:FERNANDO MORENO/CAMPEONATO CARIOCA

A “bola da vez” é a insistência das Federações Estaduais de Futebol no retorno das atividades no Brasil em pleno pico da pandemia do Coronavírus. A própria CBF chegou a “ensaiar” marcar a data de retorno: 17 de maio, o que seria neste próximo final de semana. Pelo mínimo bom senso, a idéia não prosperou… mas eu ainda não sei se rio ou se choro!

Querer discutir o retorno de futebol?? E mais que isso, o querer através da retomada dos famigerados estaduais?? A maioria das competições sequer dispõem de ambulância, requisito básico exigido pelo Estatuto do Torcedor, o que dizer de estrutura para proteção dos jogadores e demais envolvidos com uma ameaça constante e invisível?!?!

Quem vai pagar os testes em todos os profissionais? E toda a estrutura protetiva para a preparação e realização dentro e no entorno do evento? Clubes que mal conseguem ter uniforme de jogo completo vão poder comprar máscaras, álcool em gel e todo o básico de equipamentos de proteção individual??

Se tem um critério a que os estaduais atendem perfeitamente quanto as recomendações contra a Covid- 19, e desde muito tempo, é quanto a total ausência de público! As arquibancadas vazias não serão problema. Me desculpem os entusiastas, mas em 90% dos jogos de 95% dos estaduais de futebol do Brasil os estádios estão “às moscas”! Ao pessoense basta se dirigir ao Almeidão em dia de CSPxSão Paulo Crystal, ou no Amigão, em Campina Grande, Sport Lagoa SecaxSousa!! Mais gente no campo, trabalhando do que público nas arquibancadas! Isso corriqueiramente, sem coronavírus, ou qualquer outra ameaça…

Entendo a dificuldade econômica, necessidade de sobrevivência, de fato, da imensa maioria dos envolvidos no negócio futebol, especialmente no “submundo da bola”, afinal, ao contrário do glamour e altos salários que normalmente se associa a este “universo”, metade dos boleiros brasileiros ganha 1 salário mínimo! E esta concentração está justamente nos pequenos clubes que disputam os estaduais. Para alguns times e jogadores, por tabela, os únicos meses em atividade e remunerados do ano! Mas em que esta realidade de crise econômica difere das outras atividades também suspensas no país?? Onde está o critério de diferenciação??

Mas nem só os estaduais elaboram propostas absurdas. A Liga do Nordeste cogitou um retorno em formato sede única. A cidade eleita?? Recife, sob alegação de ser o centro geográfico da região com boa estrutura hoteleira, 4 estádios aptos e centros de treinamento. Só esqueceram do detalhe que o estado pernambucano é o mais castigado pela Covid-19 no Nordeste, com 99% de ocupação dos leitos de UTI.

E me sinto extremamente confortável (talvez totalmente desconfortável) para falar isso por ser um apaixonado, devoto do esporte jogado com os pés. Futebol é a minha primeira paixão como hobbie, diversão! E apesar de cada vez menos empolgado e mais nostálgico dos tempos “românticos” da bola, permaneço até hoje umbilicalmente ligado ao esporte bretão e acompanho tudo. A mim, seria um perfeito passatempo em tempos de limitação de opções na quarentena forçada pela pandemia! Mas às favas meus desejos e diversões em tais condições!

Pois bem, aqui no Brasil o “lero lero” dos estaduais é apenas pano de fundo ao que realmente interessa que é a forçação de barra para” a bola voltar a rolar” pelo que ela envolve de interesses econômicos: direitos de televisão, patrocinadores etc e tal. Para se ter uma idéia, em outra esfera, na Espanha, a La Liga, primeira divisão local, representa 2% do PIB do país. E este é o grande argumento que utilizam para voltar a competição lá!

A Alemanha, por sinal, retoma o seu campeonato nacional de futebol (Bundesliga) neste sábado, 16 de maio. Lá a pandemia foi bem controlada, os registros surgiram bem antes do Brasil e a estrutura montada prevê testes mais de uma vez por semana em todos os envolvidos na atividade. Ainda assim, mesmo com toda a mega estrutura montada nos “verdes campos europeus”, acho precipitada a volta e com alto risco de suspensão no meio do processo, por razões óbvias!

Dentre os dispositivos de proteção sugestões das mais malucas como punir atleta que cuspa em campo a medidas totalmente ineficazes como evitar abraço e comemoração coletiva em gols etc. Ora ora os jogadores correram ofegantes por 90 minutos, dividindo bola por baixo, por cima em altíssima intensidade, suor e saliva pra todo lado, mas ameaça será o cumprimento. Ok, ok…

Por Marcos Thomaz

www.marcosthomaz.com

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