Ruy Cabeção pede desligamento e expõe bastidores no Botafogo-PB após título estadual

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Foto: João Neto/Botafogo-PB

O ex-jogador Ruy Bueno, conhecido como Ruy Cabeção, anunciou na madrugada desta terça-feira (24) sua saída do cargo de coordenador técnico do Botafogo-PB. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo nas redes sociais e surpreendeu torcedores, especialmente pelo momento vivido pelo clube, logo após a conquista do Campeonato Paraibano 2026.
No pronunciamento, Ruy afirmou que sua saída foi motivada por princípios pessoais e fez críticas indiretas ao ambiente interno do clube, sem citar nomes. Segundo ele, permanecer no cargo significaria abrir mão de valores que considera inegociáveis.
“Eu poderia ficar por lá, aguardando certos movimentos do futebol, mas esses não são os princípios que eu carrego para a minha vida. Continuo pregando a seriedade, a transparência, uma conduta ilibada, reta”, declarou.
Ruy Cabeção esteve à frente da função por cerca de 45 dias. Durante esse período, ele relatou ter encontrado um cenário de desorganização estrutural, o que teria motivado ações imediatas de intervenção.
“Cheguei a um clube que enfrentava uma certa desorganização estrutural relevante. Já na primeira semana identificamos pontos críticos, reorganizamos setores e reconectamos áreas fundamentais”, afirmou.
Ainda de acordo com o ex-coordenador, relatórios estratégicos foram produzidos e entregues à diretoria da SAF, com propostas voltadas à melhoria dos processos internos do departamento de futebol. Apesar disso, ele reforçou que divergências em relação a condutas internas foram determinantes para sua decisão.
“Foi justamente por esses valores que tomei a decisão de não permanecer. Eu não compactuo com determinadas condutas e não participo de ambientes que contrariem aquilo que sempre defendi ao longo da minha vida”, frisou.
Em tom reflexivo, Ruy também destacou o peso da reputação nos bastidores do futebol.
“O futebol é competitivo, duro e complexo, mas existe algo que sempre prevalece: reputação. A rádio vestiário separa, com o tempo, quem fala do que faz”, disse.
A saída ocorre em um momento delicado do ponto de vista administrativo. Desde a saída de Rodrigo Pastana, o Botafogo-PB já não contava com um diretor executivo de futebol e, agora, também fica sem o coordenador técnico — duas funções consideradas estratégicas para o planejamento e a condução do departamento.
O episódio levanta questionamentos sobre os bastidores do clube, justamente em um momento de alta esportiva, e acende o alerta para os desafios fora de campo que o Alvinegro da Estrela Vermelha terá de enfrentar a sequência da temporada.

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